Não adiantou gritar, espernear, criticar nem usar o Twitter ou o site da FENAJ para mostrar descontentamento. O diploma de jornalismo não é mais obrigatório para quem quiser exercer a profissão de jornalista no BrasilDepois de 40 anos de exigência do diploma, agora qualquer pessoa, em tese, pode ser jornalista. As empresas de comunicação é que vão decidir se exigem ou não profissionais formados, já que o curso de jornalismo vai continuar a existir nas universidades.
Argumentos para a queda do diploma não faltaram. Dos mais coerentes aos mais absurdos, como aquele usado pelo presidente do STF, Gilmar Mendes, para justificar seu voto contra o diploma: ele comparou a profissão de jornalista à de cozinheiro.
Muitos jornalistas tentaram defender com unhas e dentes a obrigatoriedade do diploma, vista por muita gente como uma espécie de “reserva de mercado”. Para esta defesa usaram também os mais diferentes argumentos. Alguns risíveis, é verdade, como as tentativas de comparar a profissão de jornalista à profissões técnicas como as de médico ou de dentista, por exemplo.
Chega a ser infantil um jornalista dizer que agora vai abrir um consultório médico e operar pacientes. Não é possível comparar estas profissões porque elas apresentam estruturas e históricos diferentes. Simples assím.
Não sou a favor da queda do diploma. Mas é preciso, no mínimo, ter a decência de admitir que jornalismo não é ciência (humana, exata ou técnica), arte ou filosofia. É como bem disse o jornalista Mino Carta certa vez:
“Jornalismo não é ciência, na melhor das hipóteses pode ser arte. Depende do talento inato de quem o pratica e da qualidade de suas leituras.”
Ah, e agora vou alí na cozinha aprimorar meus conhecimentos na área e tentar por em prática esta bela receita de ovo frito. Quem sabe não a transformo na pièce de résistance do cardápio de meu futuro empreendimento profissional.


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