quinta-feira, 4 de junho de 2009

O fenômeno Susan Boyle

Susan Boyle não é atriz, não tem experiência com a indústria do entretenimento, não tem belas pernas e nem um rosto vendável, mas ainda assim foi responsável por uma noite de lágrimas e comoção no antigo continente, quando surpreendeu a todos os espectadores de uma versão britânica do “Ídolos”.

Bem, Susan parecia um sapo se transformando em princesa na frente de todos, na tela da TV, subjulgada e humilhada antes mesmo de poder mostrar sua capacidade lírica e potencial vocal, a senhora foi do fel ao mel em segundos e vimos a ignorância humana exposta em tentativas ridículas de explicação. Ou seja: você é feio? Gordo? Baixo? Não tem dentes? Então constatamos que você é incapaz. Uma burra constatação da mídia refém de um senso burro de mercado que não faz muito tempo que adotamos.

Pare e pense: você assiste as belas mulheres em toda parte na TV: na malhação, nas novelas, nos programas de auditório, no BBB, nos clipes musicais, nos telejornais, nos bons empregos. Logo constatamos que o talento é conseqüência da beleza. Não importa se ela é burra, desde que tenha um belo par de pernas e um rosto bonito.

Consequentemente as pessoas realmente talentosas, abaladas em sua auto-estima por nem sempre pertencerem à um padrão de beleza dominante, acabam diminuídas, encolhidas, marginalizadas e subvalorizadas, como aconteceu por tanto tempo com Susan Boyle.

As pessoas fazem um alarde com isso. Claro que Susan Boyle merece todo o reconhecimento (ainda que tardio) de seu talento, mas… quantas Susan Boyle não devem existir por aí? Subestimadas em subempregos enquanto poderiam estar fazendo a diferença no mundo.

Porque diabos insistimos em ter homens e mulheres acéfalos na mídia ditando modas inúteis e contribuindo zero para o amadurecimento, evolução e qualidade artística e humana de nosso país? Até quando teremos que engolir pessoas desprovidas de talento e dons em troca de bundas e bocas?

Pense, caro amigo… talvez, como Susan Boyle, você deva enfrentar os paradigmas para mostrar seu talento e feiúra, mas surpreender o mundo para, enfim, colher os seus louros ou… viver num anonimato burro vendo as pessoas chacoalharem suas bundas num ritmo de funk carioca calado.

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